Congestionamento de 13 km e horas de espera expõem falhas na logística; organização e órgãos públicos divergem sobre responsabilidades
O congestionamento provocado pelo show internacional da banda Guns N’ Roses, realizado na noite desta quinta-feira (9) em Campo Grande, terminou em um impasse entre a organização do evento e os órgãos públicos. Com cerca de 13 quilômetros de trânsito parado e motoristas enfrentando até cinco horas para deixar o Autódromo Internacional, ninguém assume a responsabilidade pelo caos.
Em nota, a assessoria do evento afirmou que a gestão do trânsito é atribuição exclusiva do poder público. Segundo o posicionamento, a organização privada não tem competência legal para intervir em rodovias federais ou no sistema viário urbano, conforme determina o Código de Trânsito Brasileiro. O texto ainda destaca que o evento foi autorizado previamente, com conhecimento das autoridades sobre as condições de acesso.
A organização também contestou informações divulgadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e afirmou que os portões foram abertos dentro do horário previsto, às 15h59. Ainda assim, reconheceu que a estrutura não suportou o fluxo simultâneo de mais de 35 mil pessoas, principalmente por conta da via de acesso única ao local.
De acordo com a nota, houve operação com efetivo da PRF, uso de drones, radares móveis, restrição de veículos pesados e fiscalização com bafômetros. Mesmo assim, o volume de veículos superou a capacidade da rodovia. “Não foi ausência de planejamento, mas o encontro entre uma demanda elevada e uma infraestrutura que precisa evoluir”, diz trecho do comunicado.
Público ficou preso no trânsito e perdeu o show
O congestionamento se concentrou principalmente na Avenida João Arinos, única via de acesso ao Autódromo, e impediu que cerca de 30% do público chegasse ao evento.
Nas redes sociais, fãs relataram espera de até seis horas no trânsito. Muitos abandonaram os veículos e seguiram a pé, enquanto outros recorreram a caronas de motociclistas para tentar chegar ao local. Também houve quem buscasse rotas alternativas para escapar da fila.
A situação gerou revolta entre o público, principalmente entre aqueles que compraram ingressos, mas não conseguiram assistir ao show.
Organização não responde sobre possível reembolso
A reportagem tentou contato com a produtora responsável pelo evento, Santo Show, para esclarecer se haverá ressarcimento aos consumidores prejudicados, mas não houve resposta. Nas redes sociais oficiais, os comentários foram desativados e não houve posicionamento público.
Em publicação pessoal, o empresário Valter Júnior, ligado à organização, atribuiu os problemas a “fatores externos”, como a presença de ambulantes e estacionamentos clandestinos ao longo da rodovia. Ele afirmou ainda que a equipe orientou o público a chegar com antecedência e que a banda chegou a atrasar o início do show em cerca de 1h30 para tentar reduzir os prejuízos.
Apesar das críticas, o empresário destacou que, dentro do evento, a execução ocorreu conforme o planejado e classificou o episódio como um aprendizado para futuras produções na cidade. O espaço segue aberto para a resposta oficial da empresa.
Fonte: Dourados News





